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“BEM-AVENTURADO o homem, ó Senhor, que de ti recebe ajuda. Ele dispôs no seu coração os degraus para se elevar deste vale de lágrimas até o lugar onde está o termo de seus desejos” (Sl 83,6s). A felicidade não é senão o gozo do Sumo Bem. O Sumo Bem está acima de nós. Ninguém, por conseguinte, pode ser feliz senão elevando-se acima de si mesmo, não com o corpo, mas com o coração. Mas, para elevarmo-nos acima de nós mesmos, temos necessidade de uma virtude superior. Quaisquer que forem as nossas disposições interiores, para nada servem se a graça não nos ajudar. Ora, o auxílio divino está sempre ao alcance daqueles que o pedem do fundo do coração com humildade e devoção. Quer dizer, é dado somente aos que, suspirando, voltam-se para Deus neste “vale de lágrimas” com ardente oração. A oração é, pois, o princípio e fonte de nossa elevação a Deus. Com efeito, Dionísio, em seu livro acerca da Teologia Mística, querendo nos instruir sobre os arrebatamentos da alma, começa primeiro com uma oração. Roguemos, portanto, e digamos ao Senhor nosso Deus: “Conduze-nos, ó Senhor, na tua via e eu caminharei na tua verdade. Que o meu coração se regozije no temor de teu nome”.

(São Boaventura, Itinerário da mente para Deus, I, 1).